domingo, 20 de fevereiro de 2022

O seu Bebé nasceu por ventosa, e agora?




Em Portugal são muito comuns os nascimentos onde se recorre à ajuda de uma ventosa. A ventosa é um dispositivo que se coloca na cabeça do Bebé durante a descida do mesmo pelo canal de parto ou mesmo durante uma cesariana. O dispositivo cria um vácuo que permite aos profissionais de saúde tracionar e orientar os movimentos do Bebé.

Embora o seu uso em muitos casos seja necessário, a sua aplicação provoca grandes deformações na cabeça dos recém-nascidos. Após 72 horas, a cabecinha do recém-nascido deverá voltar à sua forma “normal”, caso isso não aconteça, uma visita a um osteopata com experiência em pediatria torna-se necessária.
Permitir um crescimento assimétrico do crânio do Bebé é aumentar o risco de desenvolver uma plagiocefalia, potenciar problemas relacionados com a amamentação e dificultar um bom desenvolvimento neuropsicomotor.

Bons hábitos na hora do pote





A partir dos 2 anos e meio, a criança pode começar a manifestar vontade de usar o pote. A forma como vai usar o pote, a sua perceção de bexiga cheia e os seus hábitos miccionais vão definir a forma como a criança se relaciona com o seu corpo, a sua bexiga e a comunidade.
Como ensinar corretamente?
  • Dar um bom exemplo é sem dúvida o primeiro passo! O adulto deverá utilizar a sanita de forma correta, se posicionar corretamente e respeitar a sua vontade miccional.
  • Escolha um pote que permita à criança estar sentado de forma confortável com as costas direitas, os pés bem apoiados no chão e os joelhos à altura do umbigo do pequeno ou mais alto um pouco (meninas e meninos!!!)
  • Não pedir para fazer força para o xixi sair!!! A urina deve sair sem que a criança use os músculos da barriga para pressionar a bexiga e, quando se pede para fazer força, as crianças criam o hábito de miccionar de forma hiperpressiva usando os músculos da barriga.
  • Não interromper o jato urinário da criança!!! Quando a criança começa a urinar a tendência é os pais ficarem felizes, baterem palmas desconcentrando a criança. Vamos festejar sim, mas no final. É importante permitir que a urina saia de forma contínua, sem interrupções permitindo à bexiga se esvaziar completamente.
  • No final de urinar não pedir para fazer uma “forcinha final”!!! Urinar deve ser feita sem pressão adicional.
  • Limpar no final, sem fazer o papel deslizar, apenas absorvendo a gotinhas que ficaram e nunca limpar de trás para a frente (limpar de trás para a frente é arrastar bactérias que se encontram a nível do ânus e aumentar a probabilidade de uma infeção urinária)
  • Festejar no final e felicitar!!! Bater palmas, cantar, dançar e dar um reforço positivo!!!
  • Não promover a “urgência urinária”. Estar constantemente a perguntar à criança se quer fazer xixi, pressionar no momento de sair de casa para fazer xixi, é não permitir à criança perceber quando é que a sua bexiga está cheia.
  • Beber muita água. Uma criança deve ir bebendo água ao longo do dia, nada de diminuir a ingestão de água para diminuir as idas ao wc.
  • Transportar o pote para todo lado! Para um adulto, pode ser difícil usar o wc que não seja o dele, mais difícil será para uma criança.
  • Promover um momento tranquilo na hora de ir ao pote. Vão ser muitas idas ao pote ao longo do dia, torne esse momento um momento agradável para todos.
Em caso de dificuldade, lembre-se que é apenas uma criança, que a sua bexiga pode precisar de mais tempo para crescer e que se considera normal até aos 7 anos ocorrerem pequenos “imprevistos”.

O seu Bebé tem uma braquiocefalia?



A braquiocefalia corresponde a um aplanamento da zona posterior do crânio. Alguns Bebés já nascem com esse aplanamento, outros podem-no adquirir. Apesar de muito desvalorizada por alguns profissionais, a braquiocefalia traz consigo certas complicações que podem promover o aparecimento de determinadas patologias na vida adulta: problemas na articulação temporomandibular, cervicalgias, alterações posturais e potenciar o aparecimento de um Arnold Chiari.

Desconhece-se a sua causa, no entanto acredita-se que, fatores genéticos, o posicionamento do bebé na barriga da mãe, o parto e o posicionamento incorreto do Bebé após o nascimento podem estar na origem da braquiocefalia. Um Bebé que nasce com a zona posterior da cabeça plana, será um Bebé que tendencialmente permanece deitado de barriga para cima sem rodar a cabeça para um dos lados (relembramos que os bebés devem dormir de barriga para cima e com a cabeça rodada para um lado de modo a diminuir o risco de morte súbita). Esse contacto sobre a zona plana irá aumentar a deformação, tornando o pescoço do Bebé mais rígido.
O que fazer:
• Consulte o pediatra do seu Bebé
• Consulte um osteopata com experiência em pediatria
• Use uma almofada para braquiocefalia
• Promova a posição de barriga para baixa durante as brincadeiras ao longo do dia (tummy time)
• Diminua ao mínimo necessário o tempo na Babycoque
• Recorra ao babywearing como meio de transporte
• Evite o uso de espreguiçadeiras e outros acessórios rígidos que contactem diretamente sobre a zona plana da cabeça do Bebé
• Sempre que estiverem com o Bebé ao colo, evite o contacto com a zona plana.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

O seu Bebé assusta-se com facilidade? 





Existe um reflexo primitivo, o reflexo de Moro, que simula o que nós adultos sentimos quando nos assustamos ou quando estamos deitados a dormir e temos a sensação de que vamos cair. No Bebé, o reflexo de Moro é desencadeado em situações de maior insegurança, como é o caso de um ruído forte ou quando o Bebé é movimentado abruptamente.  Quando desencadeado, o Bebé vai-se esticar e esticar os braços como se tentasse agarrar a alguma coisa e chora. Esse reflexo é sinal de saúde e é interpretado como um bom indicador de que o sistema nervoso do Bebé se está a desenvolver corretamente. Conforme o Bebé vai crescendo, esse reflexo vai desaparecendo à medida que ganha controlo da cervical e do tronco.

Alguns Bebés que apresentam uma postura em extensão, isto é, “Bebés muito esticados”, podem apresentar esse reflexo exacerbado. Promover uma posição em flexão, promover a posição de barriga para baixo, realizar alguns exercícios de flexibilização da coluna e procurar ajuda de um osteopata com experiência em pediatria, podem ser a solução para ajudar o seu Bebé a não “assustar-se” com tanta facilidade.

Suporte de chupeta, sim ou não?





Existe uma grande variedade de suportes de chupetas, uns mais bonitos do que outros, uns mais práticos do que outros, uns mais leves do que outros. Quais os melhores, quando se podem usar e porque se usam?

 

suporte para chupetas facilita a vida aos pais impedindo que a chupeta caia ou se perca, no entanto saiba que...não recomendamos que sejam usados a partir dos 6 meses!  

 

A partir dos 6 meses, os Bebés iniciam a sua alimentação complementar e a necessidade de sucção não nutritiva diminui. Este será o primeiro momento que convidamos os pais a diminuir o tempo do Bebé com a chupeta.

 

Porque não aconselhamos o uso de suporte de chupetas a partir dessa idade?

 

Por volta dos 6 meses o Bebé consegue se manter sentado com o mínimo de apoio. Agora com o Bebé na vertical, o suporte para chupetas irá funcionar como um pêndulo que traciona a chupeta empurrando-a contra o maxilar superior e o palato, potenciando ainda mais a deformação da cavidade oral do Bebé. Quanto mais pesado o suporte de chupeta, mais força sobre a chupeta esse realizará.  Caso considere que o seu Bebé ainda precise da sua chupeta por mais uns tempos por longos períodos opte por um suporte mais leve e vão procurando algumas alternativas ao uso da chupeta para confortar o seu Bebé.  

sábado, 11 de dezembro de 2021

 O Bebé pode ter dores de cabeça?



Há uma certa tendência em considerar que os Bebés nascem e só têm dores de barriga. Da mesma forma que podem ter dores de barriga porque têm uma barriga também podem ter cefaleias (dores de cabeça) pelo simples facto de terem um cabeça.

De que forma o seu Bebé pode lhe dizer, através de gestos, que tem dores de cabeça? 
• Levando as mãos à cabeça e arranhando o rosto 
• Pedindo frequentemente a mama 
• Chorando com o choro difícil de consolar  
• Estando frequentemente num estado irritável  
• Quando o Bebé não está a chorar pode apresentar uma cara de zangadinho (franzir o sobrolho) 

Outros sinais que nos podem indicar que o Bebé pode sofrer de cefaleias é ele apresentar uma cabecinha irregular. A presença de zonas mais altas, uma cabeça assimétrica, um rosto que facilmente fica vermelho, um olhar sério podem ser sinais de dores de cabeça. 

Partos complicados, instrumentados ou muito longos podem estar na origem de tensões intracranianas que podem provocar dores de cabeça no seu Bebé. 

O que fazer? 
• Procure ajuda de um osteopata com experiência em pediatria  
• Oferece a mama ao seu Bebé pois a sucção ajuda a diminuir as tensões intracranianas 
• Caso a amamentação esteja totalmente estabelecida, ofereça a chupeta.  
• Procure arejar a divisão da casa onde vai estar o Bebé 
• Procure estratégias que deixem o seu bebé mais relaxado (swaddle, Babywearing, contacto pele com pele, música suave, procure não expor o bebé a luzes muito fortes, recorrer à bola de pilates como meio de embalo, imersão em água quentinha...)



O seu Bebé sofre com otites de repetição?




Os bebés apresentam uma predisposição para o aparecimento de otites. O nariz e as orelhas do seu bebé encontram-se ligado por um canal, a trompa de Eustáquio. Essa trompa nos bebés é mais horizontal, mais estreita e mais curta que no adulto, o que favorece a acumulação de secreções e resíduos. A existência de uma predisposição não nos vem dizer que é normal as crianças sofrerem de otites, vem sim dizer que basta haver pequenas alterações estruturais, funcionais e hábitos errados para que a otite surja.

O ouvido do Bebé encontra-se localizado numa estrutura óssea, o osso temporal. Essa estrutura pode facilmente sofrer compressão, tração e pequenas lesões durante o trabalho de parto. Tensões membranosas anormais nessa região podem dificultar a drenagem do ouvido do seu Bebé. 

O próprio nariz do Bebé pode sofre pequenas lesões durante a sua vida intrauterina e parto. Vias aéreas mais “estreitas” dificultam a limpeza do nariz dos mais pequenos.
Outras estruturas, como a clavícula, a cervical e a mandíbula, em caso de alteração de mobilidade, podem dificultar de forma indireta a drenagem do ouvido dos pequenotes. 

Para se evitar o aparecimento de otites de repetição é fundamental uma boa função do ouvido, do nariz e das estruturas envolventes, no entanto outras disfunções devem ser equacionadas como: alterações da deglutição, refluxo e alergias. 

O que fazer? 
• Procure ajuda de um osteopata com experiência em pediatria. Este irá ajudar o seu bebé a melhor a função do nariz e ouvido e ajudar na drenagem da trompa de Eustáquio 
• Despistar alergias com o pediatra do seu Bebé  
• Não oferecer o biberão com o bebé deitado 
• Efetuar uma correta higiene nasal do Bebé 
• Evitar oferecer a chupeta ao bebé 
• Caso o Bebé tenha refluxo, seguir todas as recomendações para evitar o refluxo. 
• Procure não fumar perto do seu Bebé ou estar com este imediatamente depois de fumar.  
• Adeque a roupa do seu Bebé à temperatura ambiente. 


 O seu Bebé quer estar sempre no colinho dos pais? 




O seu Bebé é um Bebé normal! Na sua vida intrauterina o bebé encontra-se num meio onde está em contacto físico constante com a sua mãe, ouve a sua voz, recebe pequenas compressões e encontra-se totalmente seguro. Para os Bebés é, portanto, totalmente normal estar no colinho dos papás pois é o local que mais se assemelha ao espaço em que viveram felizes durante 40 semanas.

A estimulação física, através do movimento dos pais, os estímulos auditivos e olfativos vão proporcionar ao Bebé um ótimo desenvolvimento não só físico como também emocional. Preencher as necessidades do Bebé num momento em que o seu Bebé ainda não apresenta ferramentas de autorregulação é ajuda-lo a crescer de forma saudável. 

Em Bebés prematuros, já está comprovado que um contacto com pressões intermitentes melhora a sua frequência cardíaca quando comparado com um contacto estático. Esse contacto com pressões intermitentes é o que ocorre quando o Bebé está ao colo!!! 

Os Bebés não têm “manhas“, têm sim necessidades que têm que ser preenchidas sobre pena de ficarem com carências físicas e emocionais.  
Se o seu Bebé pede colo, ofereça colo! Esse pedido pode esconder uma necessidade de estar na vertical porque tem refluxo, pode esconder uma necessidade de drenagem corporal porque o seu corpo não está a funcionar corretamente e precisa de ligeiras compressões, pode esconder necessidades afetivas, pode ser um pedido de ajuda para o seu Bebé aprender alguma coisa como dormir tranquilamente!!! 

Se ficar cansado com tanta solicitação recorra ao Babywearing como forma de dar colo e continuar em movimento e/ou peça ajuda de amigos e familiares. Se considera que algo está a deixar o seu Bebé desconfortável, como refluxo, cólicas ou alguma dor, peça ajuda ao pediatra do seu Bebé e marque uma consulta de Osteopatia Pediátrica.



 O seu Bebé não gosta de comer?



Provavelmente o Bebé ainda não está pronto para iniciar a sua alimentação complementar da forma como os pais desejam. Por volta dos 6 meses do Bebé, a OMS recomenda que os pais iniciem a introdução de outros alimentos para além do leite materno. 

Essa introdução alimentar deve respeitar os sinais de apetite e saciedade do Bebé deve ter uma frequência adequada à idade do Bebé. O início da alimentação complementar nem sempre é um processo fácil, o Bebé vai ter que aprender a contactar com objetos e alimentos com temperaturas, consistências, sabores e texturas diferentes. “Mastigar” e engolir alimentos não é o mesmo que mamar. Iniciar a ingestão de outros alimentos requer alguma maturidade do organismo do Bebé.

Alguns sinais podem ajudar os pais a identificar se o Bebé está pronto a iniciar a sua alimentação complementar:

• O Bebé consegue estar sentado com o mínimo de apoio
• O Bebé agarra e leva objetos à boca de forma coordenada
• O reflexo de protrusão da língua diminui (o Bebé deixa de empurrar com a língua tudo que leve à boca)
• O Bebé demonstra interesse quando vê alguém a comer

Mastigar e engolir alimentos não é um processo simples. Alterações estruturais do Bebé podem dificultar esse processo. Bebés com uma mandíbula um pouco mais posterior, Bebés com alterações da mobilidade da cervical e da língua, Bebés que bolçam muito, são Bebés que podem apresentar maior dificuldade na iniciação da sua alimentação complementar.





 O seu Bebé tem muitos soluços?




O soluço é uma situação comum nos Bebés pela imaturidade do seu organismo. O soluço acontece devido a contrações do diafragma que facilmente fica estimulado. Há Bebés que sofrem com os soluços pela sua frequência e duração apresentando sinais de desconforto e irritabilidade.


O diafragma é inervado pelo nervo frénico que se encontra a nível da cervical. Alterações de posicionamento ou mobilidade dessa zona podem estimular esse nervo levando ao soluço. O diafragma é um músculo transversal ao nosso organismo que trabalha, entre outras coisas, em sinergia com os restantes diafragmas, o pélvico e o orofaríngeo. O equilíbrio entre esses diafragmas é importante para uma correta função de cada um deles. Desta forma, Bebés muito esticados ou com muita força no pescoço podem sofrer com soluços frequentes e de longa duração. 


Como ajudar os Bebé que sofrem com soluços recorrentes?
• Recorrer a um osteopata com experiência em pediatria
• Uma vez o soluço iniciado, oferecer um pouco de mama
• Caso o seu Bebé não mame de forma tranquila recorrer a uma consulta de amamentação
• Colocar o Bebé a arrotar no meio da mamada
• Encurtar o tempo entre mamadas e permanecer um pouco menos na mama
• Procurar manter o Bebé numa posição mais vertical, recorrer ao babywearing é uma boa opção.
• Procurar manter o Bebé num ambiente quentinho e tranquilo



O seu filho senta-se em posição de sereia





Sentar como uma sereia é nos sentarmos de lado com os joelhos ligeiramente dobrados e as pernas ligeiramente sobrepostas. Essa forma de sentar, quando adotada frequentemente, pode esconder um problema articular a nível da anca.


A anca dos mais pequenos deve ter a capacidade de permanecer em abdução e rotação externa, isto é, ficar sentado com as perninhas à chinês. Caso o seu filho não se sinta confortável nessa posição e se sente como uma sereia convido-o a fazer um pequeno teste:

• Sentado no chão, com os dois joelhos dobrados, coloque as plantas dos pés do seu filho encostadas uma à outra. Os calcanhares devem ficar encostados um ao outro e estar o mais próximo possível da barriga. Esta posição é parecida à posição de estar sentado com as perninhas à chinês, mas com os pés juntos.

• Realize uma pressão em direção ao chão muito suave sobre os joelhos do seu filho.

• Avalie a distância que fica entre os joelhos e o chão quando aplica pressão simultânea em ambos os joelhos.

• A distância entre os joelhos e o chão deve ser a mesma de um lado e de outro.

Caso identifique alguma assimetria, a perna cujo joelho fique mais distante do chão pode apresentar um problema articular a nível da anca.


O que fazer:
• Fale com o pediatra do seu filho.
• Recorra a uma consulta de osteopatia
• Procure ajuda de um podologista
• Incentivar o seu filho a se sentar com as perninhas à chinês.
• Escolha bem o calçado do seu filho
• Deixe o seu filho trepar, saltar, andar descalço e se mover livremente.


O seu filho tem dentinhos de coelho?



 

Ter dentinhos de coelho é sinónimo de ter uma mordida aberta anterior na qual os incisivos superiores não se relacionam de forma correta com os inferiores. Os dentes ficam orientados para a frente e nem sempre permitem que a criança permaneça com a boca fechada de forma confortável. Nem sempre a culpa está nos dentes e na genética da criança.


Mais do que uma questão estética, os dentinhos de coelho provocam alterações funcionais, estruturais e posturais. Os dentinhos de coelho surgem ou por hábitos orais nocivos como o uso prolongado de chupeta e chuchar no dedo ou por questões esqueléticas e funcionais. O que pode estar a acontecer?

• O teto da nossa boca é o chão do nosso nariz, desse modo alterações respiratórias podem levar à deformação da nossa cavidade oral. Se o seu filho tem dentinhos de coelho verifique se o seu filho ressona, anda com pingo no nariz ou se respira pela boca e não pelo nariz.

• O seu filho bolçava muito ou apresentava uma postura muito esticada? Alterações posturais podem comprometer um bom posicionamento da mandíbula e estar na origem de uma má oclusão.

• O seu filho tem dificuldade em prenunciar alguns sons? Um uso incorreto da língua durante a fala ou uma posição incorreta da língua em repouso podem levar ao aparecimento de dentinhos de coelho. 


Muitas são as causas do aparecimento de uma mordida aberta. Procure ser acompanhado por uma equipa multidisciplinar de modo a que a origem dos dentinhos de coelho seja devidamente tratada. 

O seu Bebé inclina-se na hora das refeições?




É sempre importante recordar que a OMS recomenda que se inicie a alimentação complementar do Bebé a partir dos 6 meses. Qualquer introdução anterior a essa idade pode não ser benéfica e o Bebé não estar preparado para iniciar a sua alimentação complementar. Existem alguns sinais de prontidão que podem ajudar os pais a perceber se o seu Bebé está pronto para iniciar a sua alimentação complementar.

Caso o seu Bebé consiga estar sentado com o mínimo de apoio, que leve objetos à boca, que demonstre interesse pela comida e que já não apresente o reflexo de protrusão da língua (empurrar com a língua tudo que leve à boca) então o Seu Bebé está pronto para iniciar a sua alimentação complementar!


Caso o seu Bebé já apresente todos esses sinais de prontidão e que mesmo assim, na hora das refeições permaneça sempre inclinado para o mesmo lado saiba que isso não é normal! Bebés com torcicolos, Bebés com algumas alterações de coluna vertebral, Bebés com algum problema a nível da anca ou Bebés com algum problema neurológico tendem a inclinar sempre para o mesmo lado na hora das refeições!

 



O Seu Bebé nasceu com ajuda de uma ventosa?




Em Portugal são muito comuns os nascimentos onde se recorre à ajuda de uma ventosa. A ventosa é um dispositivo que se coloca na cabeça do Bebé durante a descida do mesmo pelo canal de parto ou mesmo durante uma cesariana. O dispositivo cria um vácuo que permite aos profissionais de saúde traccionar e orientar os movimentos do Bebé.

Muitas mães acreditam que a utilização da ventosa poderia ser evitado se tivessem realizado mais força, se estivessem melhor preparadas, se a equipa médica fosse diferente, se estivessem em outro hospital, se se tivesse induzido o parto mais cedo. O ser humano procura sempre se melhorar e a sua visão critica permitiu-lhe chegar onde está hoje evitando tragédias e preparando-se para eventos adversos. As mamãs são a perfeição da perfeição no que toca a cuidar e proteger os seus pequenos e vão analisar, avaliar e definir o que poderia ter sido diferente. Acredito que esse analise seja necessária para se planear uma nova gestação no entanto, por favor não se martirizem
Embora o seu uso em muitos casos seja necessário, a sua aplicação provoca grandes deformações na cabeça dos recém-nascidos. Após 72 horas, a cabecinha do recém-nascido deverá voltar à sua forma “normal”, caso isso não aconteça, uma visita a um osteopata com experiência em pediatria torna-se necessária.

Permitir um crescimento assimétrico do crânio do Bebé é aumentar o risco de desenvolver uma plagiocefalia, potenciar problemas relacionados com a amamentação e dificultar um bom desenvolvimento neuropsicomotor.


 

 

Sinais de prontidão para se iniciar o desfralde 




O desfralde é um processo fisiológico, emocional e cognitivo e como tal a idade para se proceder ao desfralde vai variar de criança para criança. Cada criança tem o seu próprio desenvolvimento maturativo. Este processo pode dar-se até aos 6 anos sem que este seja considerado patológico. Forçar o processo é aumentar a probabilidade de se adquirir maus hábitos miccionais e provocar traumas emocionais. Alguns sinais de prontidão podem ajudar os pais/ cuidadores a iniciar esse processo de forma segura:

• A criança já deve apresentar alguma coordenação motora: andar, subir e descer as calças, comer e engolir sólidos e líquidos.

• A criança já deve entender o que se lhe diz: vamos à sanita, esta é a sanita, o papá e a mamã também usam uma sanita embora seja um pouco maior etc. 

• A criança já deve manifestar sensações básicas: tenho frio, tenho calor, fiz xixi etc.

• A criança deve manifestar que tem vontade de fazer xixi (através de gestos ou palavras)

• A criança já deve ter tocado e mostrado interesse no seu pote e ter ficado atento ao ver os pais a fazer xixi

• A criança já permanece pelo menos 2 horas com fralda seca

• A criança não deve estar doente, não devem ter ocorrido mudanças na sua vida (chegada de um irmão, mudança de casa etc)

• O adulto deve estar calmo e com tempo para iniciar o processo

• O processo deve ser iniciado preferencialmente durante a primavera/ verão (a bexiga em presença de frio pode contrair de forma involuntária e dificultar o processo)

• A criança procura tirar a fralda

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

 

O Seu Bebé não gatinha, e agora?


Os Bebés costumam iniciar o gatinhar a partir dos 9 meses.

Alguns autores defendem que poderá ser considerado normal o Bebé não gatinhar e passar diretamente para a fase seguinte, o andar. Apesar do facto de o Bebé não gatinhar não impedir que inicie a marcha é importante saber que inúmeros são os benefícios em gatinhar:
• Melhora controlo postural, estabilidade articular e esquema corporal
• Fortalece musculatura do pé facilitando depois a marcha
• Melhora coordenação bilateral e desenvolve o sistema vestibular
• Melhora a descriminação tátil e a motricidade fina
• Trabalha a percepção visual, o sentido de ritmo, espaço e tempo
• Diminui a probabilidade do bebé andar em bicos de pés
• Desenvolve práticas de transferência de posição
• Promove a interação social e a sua independência
• Permite ao bebé iniciar depois a marcha com menos quedas, mais equilíbrio e melhor capacidade para se proteger no momento de queda
Para o Bebé conseguir gatinhar é fundamental os pais e cuidadores lhe permitirem explorar o seu meio. Para além do Bebé estar livre para se mover e explorar, é igualmente importante que o seu corpo se encontre bem. Problemas estruturais como alterações da mobilidade da anca ou de outras estruturas, má integração de reflexos primitivos, alterações posturais, atraso de desenvolvimento podem dificultar o gatinhar.

Como ajudar um Bebé que tem dificuldade em gatinhar?

A partir dos 2/3 meses o Bebé deve passar grande parte do tempo em que se encontre acordado no chão. Explorar o solo, estar de barriga para baixo, brincar com objetos que lhes despertem curiosidade com cores, sons, texturas e fáceis de agarrar são um excelente exercício para preparar o Bebé para o gatinhar.


Em caso de dúvidas o melhor será pedir ajuda a um osteopata com formação em neurodesenvolvimento.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

 O Seu Filho anda com os pés para dentro?



Entre os 3-5 anos as crianças podem apresentar uma marcha com desvio interno da ponta dos pés, devido a torções tibiais e anteversão do colo do fémur. Nas últimas semanas de gestação, os fémures estão em rotação externa e as tíbias em rotação interna. Nos bebés, a torção tibial interna vem acompanhada com joelhos arqueados. Ao longo do desenvolvimento, as tíbias irão ganhar rotação externa e por volta dos 5 anos a maioria das crianças conseguem corrigir a rotação tibial e diminuir a anteversão do colo do fémur. 


Nem sempre estas alterações  se corrigem com o crescimento da criança. Esse facto deve-se a:

  • Uma má posição intra uterina;
  • Alterações dos pés, como metatarsos varos e calcâneo valgo
  • Razões genéticas
  • Más posturas (fora da barriga da mãe)
  • Alterações da pélvis da criança como, uma anteversão do colo do fémur excessiva
Quando a criança inicia a marcha, os pais podem identificar desequilíbrios, quedas frequentes e  marcha com os pés para dentro. Essas alterações devem ser devidamente avaliadas por profissionais de saúde, nomeadamente o pediatra e o osteopata com formação em osteopatia pediátrica.

  •  O seu Bebé não gosta de dormir?



 

Tal como no adulto, muitas são as causas que levam o Bebé a dormir mal. O que pode estar a acontecer? O que altera o Sono do Bebé? Há razões orgânicas que podem estar por detrás dessa dificuldade.


Dentro das razões orgânicas temos:

  • O Bebé pode ter refluxo: tal como ocorre com os adultos, os Bebés que têm refluxo vão acordar e não ter um sono tranquilo. Um Bebé com refluxo vai preferir dormir numa posição mais vertical, vai acordar assim que os pais o tentam deitar e irá chorar ao acordar e pedir colo. Um Bebé com refluxo pode bolçar durante o dia, se esticar e fazer caretas.
  • O Bebé pode ter cólicas: No caso de cólicas o Bebé pode acordar, chorar, se contorcer, libertar gases ou mesmo fazer cocó.
  • O Bebé pode respirar mal: um Bebé que respire mal irá ter um sono mais agitado e ter mais despertares. Todos nós já tivemos essa experiência quando constipados. Se não conseguirmos respirar eficazmente vamos acordando durante a noite e/ou acordar de manhã cansados. Esses Bebés são bebé que podem ressonar, que frequentemente acumulam ranho no nariz, que podem ter alergias ou outros problemas respiratórios já diagnosticados. São Bebés que podem ter olheiras e respirar pela boca.
  • O Bebé não relaxa e tem dificuldade em entrar no sono. Os Bebés precisam de estar relaxados para entrar no sono. Esses Bebés chegam à hora de dormir e lutam contra o sono. São Bebés que acordam e procuram reproduzir os momentos antes de adormecer (chupeta, colo, etc.). São Bebés que normalmente acordam, podem não chorar e só choramingar e voltam a adormecer depois de relaxarem (com colo, chupeta, mama etc.)
  • Razões internas do Bebé: diminuição de uma hormona chamada melatonina pode ser uma das causas para a falta de qualidade do sono do seu Bebé. São Bebés que demoram mais de 30 minutos a adormecer.
  • Rotinas de sono. Escolher o horário certo para dormir, onde dormir e como dormir são fundamentais para uma noite tranquila.
  • Patologias neurológicas e outras patologias podem estar por detrás de noites mal dormidas.

Quando a razão da falta de qualidade do sono são cólicas, refluxo, dificuldade em relaxar e entrar no sono o Bebé pode beneficiar de uma consulta de osteopatia pediátrica. Caso o seu Bebé não apresente nenhuma das razões acima referidas, procure ajuda de um "terapeuta do sono".

 

Se os pais estão cansados, os bebés e as crianças também estão. Dormir bem é fundamental para um bom desenvolvimento neuropsicomotor. Se o seu bebé dorme mal procure ajuda de profissionais competentes. 

O seu bebé tem muita força no pescoço, isso é bom?


A cabeça de um bebé corresponde a cerca de 10% do seu peso (5 vezes mais do que a percentagem no adulto). Não é, portanto, normal um recém-nascido conseguir manter a cabeça elevada assim que nasça por um longo período de tempo e várias vezes por dia. A cabeça do recém-nascido deve repousar tranquilamente e ir ganhando progressivamente força e controlo à medida que os meses vão passando. Um Bebé apenas deve conseguir controlar o pescoço aos 3/4 meses.

Porque é que alguns bebés têm tanta “força” no pescoço?

Na verdade, não se trata de força, trata-se sim de um aumento de tensão da musculatura suboccipital, da musculatura posterior do pescoço. Durante o parto, seja ele por cesariana ou parto normal, o Bebé pode ser sujeito a uma hiperextensão cervical onde se leva a cabeça do Bebé excessivamente para trás. Esse mecanismo produz um verdadeiro “torcicolo” levando o recém-nascido a tentar manter a cabecinha o mais para trás possível! Como facilmente se pode compreender, esse “torcicolo” vai provocar dor e alterações funcionais. Tentem engolir e mastigar com o pescoço para trás!

Como pode ajudar?

  • Se o seu Bebé, recém-nascido tem muita “força” no pescoço, procure ajuda de um osteopata, com formação específica em osteopatia pediátrica.
  • A amamentação pode se tornar complicada, procure ajuda de especialistas em amamentação para corrigir, orientar e ajudar o Bebé e a Mamã.
  • Procure colocar o Bebé sempre que possível numa posição mais simétrica corrigindo a hiperextensão cervical.


 

domingo, 6 de dezembro de 2020

 O seu filho está com pingo no nariz?

Será Covid-19? 


Ter pingo no nariz (congestão nasal) por si só não é um sinal de Covid-19. O pingo no nariz pode ser sinal de gripe, constipações ou alergias, no entanto, o covid-19 anda nas ruas e ter pingo no nariz passa a ser um sinal de alarme. Mesmo sendo apenas um pingo ligeiro o seu filho terá que remover a máscara frequentemente para limpar o nariz, e dessa forma coloca-se em perigo. Para além do perigo físico, o seu filho poderá receber comentários desagradáveis por parte dos colegas.

O que fazer?  

  • Não desvalorize o sinal e esteja atento.  
  • Caso o seu filho apresente alergias, o pingo no nariz nesta época do ano é provável que se trate apenas de mais um episódio de alergias, no entanto, esteja atento a outros sinais. 
  • No caso das crianças mais crescidas, a máscara do seu filho ficará húmida com facilidade perdendo o seu poder de proteção. Coloque uma máscara por cada hora que a criança esteja fora de casa para ela poder ir trocando.  
  • Reforce junto do seu filho a necessidade de higienizar as mãos antes e depois de limpar o nariz.  
  • Informe o seu filho que deve limpar o nariz afastado dos colegas, por sua proteção porque está sem máscara, e pela proteção dos colegas. 
  • Não se esqueça de relembrar ao seu filho que na mochila deve colocar desinfetante e lenços suficientes.  
  • Caso seja a primeira vez que o seu filho tem pingo no nariz fale com o seu pediatra.
  • Proceda regularmente à lavagem do nariz
  • Controle a temperatura do seu filho (considera-se febre uma temperatura axilar acima dos 38ºC nas crianças pequenas e 37,2ºC nas crianças maiores) 
  • Avalie o comportamento do seu filho, sintomas como sonolência, dificuldade respiratória, cansaço, dores corporais, sensação de pressão no peito são sinais de alarme. 
  • Esteja atento a outros sintomas: tosse seca, dor de cabeça, diarreia, dores de garganta, conjuntivite, perda de paladar ou olfato, irritações na pele ou descoloração dos dedos das mãos e dos pés.  
  • Opte por reforçar o seu sistema imunitário e o do seu filho através hábitos de vida saudáveis, como uma alimentação adequada e prática regular de exercício físico. 

Caso o seu filho apresente, para além do pingo ligeiro no nariz, mais algum sintoma dos mencionados acima fale com o pediatra do seu filho e mantenham-se em casa.  

Se nos anos anteriores proceder a uma boa lavagem do nariz do seu filho era importante, este ano esse procedimento é FUNDAMENTAL. Evite complicações respiratórias e diminua as idas ao hospital. 


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